29 de Novembro de 2022
Rede de fibra óptica de alta velocidade vai conectar universidades paulistas
Batizada de Backbone SP, ela será operada pela Research and Education Network at São Paulo (Rednesp), apoiada pela Fapesp
Por Elton Alisson, da Agência Fapesp*

Foi lançada na quinta-feira (29/9) uma rede de fibra óptica de alta velocidade que permitirá a conexão das universidades paulistas entre si e com instituições do exterior para compartilhamento de dados científicos, materiais didáticos e processamento computacional de alto desempenho. Além disso, poderá servir como um ambiente multiusuário para pesquisa na área de engenharia e de computação.

Batizada de Backbone SP, a rede interligará as universidades de São Paulo (USP), Presbiteriana Mackenzie, as estaduais Paulista (Unesp) e de Campinas (Unicamp), além das federais de São Paulo (Unifesp), de São Carlos (UFSCar) e do ABC (UFABC) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Desenvolvido ao longo dos dois últimos anos, o Backbone SP será operado pela Research and Education Network at São Paulo (Rednesp), a antiga Rede ANSP, apoiada pela Fapesp.

“A Rede ANSP, criada em 1988 pela Fapesp para atender as três universidades estaduais paulistas [USP, Unesp e Unicamp], rapidamente abriu caminho para a internet no Brasil. Até 2020, foram aportados US$ 125 milhões para a gestão dela”, disse Marco Antonio Zago, presidente da Fundação, na abertura do evento.

O Backbone SP interligará as oito universidades paulistas a uma velocidade de 100 Gigabits por segundo (Gbps), que é mais do que suficiente para atender à demanda atual dessas instituições de pesquisa, mas é escalável e pode ser aumentada de acordo com a necessidade.

“O uso de dados é cada vez mais crítico. Essa infraestrutura é fundamental para toda a ciência que é feita no Estado de São Paulo e é importante que seja usada da melhor forma possível”, avaliou Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fapesp.

De acordo com João Eduardo Ferreira, coordenador da Rednesp, o Backbone SP também será a espinha dorsal para conexão das universidades paulistas às redes acadêmicas internacionais, feita por meio de cabos submarinos localizados nos oceanos Atlântico e Pacífico. Além desses dois cabos foi contratado um terceiro para assegurar a conexão em caso de eventuais problemas nos dois links internacionais.

Por meio desses links a Redenesp está vinculada às redes acadêmicas internacionais, como a Americas Africa Lightpaths (AmLight) e a RedCLARA, da América Latina.

“Estamos pareados agora, do ponto de vista de capacidade de transmissão, com os backbones internacionais”, afirmou Ferreira.

Infovia para redes privadas 5G

O Backbone SP também está preparado para viabilizar conexões de iniciativas das universidades paulistas que demandem maior largura de banda, como redes 5G privadas.

Baseado em tráfego de dados, o padrão de tecnologia de quinta geração para redes móveis e de banda larga está possibilitando o surgimento de redes privadas para interligação de diversos dispositivos baseados em internet das coisas (IoT, na sigla em inglês).

“O que estamos propondo como próximo passo é que o Backbone SP sirva como uma infovia para trocar dados das redes 5G privadas, que, apesar de fechadas entre si, precisam se comunicar e interligar todos esses dispositivos de conectividade das universidades como alternativa à infraestrutura de comunicação de longa distância disponibilizada pelas operadoras”, diz Ferreira.

A fim de demonstrar a viabilidade da ideia, os pesquisadores da Rednesp, em parceria com a Nokia, fizeram uma demonstração do funcionamento de uma rede privada 5G.

“Além de permitir aumentar a eficiência na troca de dados científicos, materiais didáticos e processamento de alto desempenho, o Backbone SP também será um ecossistema de conectividade”, avaliou Ferreira.

Maior ponto de tráfego do mundo

São Paulo já é o maior ponto de tráfego de internet no mundo. A marca foi atingida em março de 2021, durante a pandemia de covid-19, destacou Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

“Passamos Frankfurt [na Alemanha], que era o maior do mundo. Isso aconteceu porque aqui há pessoas que cooperam para que isso funcione da melhor maneira possível. Estamos orgulhosos de que isso funcionou e que internet continua sendo desenvolvida em um esquema de cooperação voluntária e adequada”, avaliou Getschko.

O especialista foi responsável pela implantação do Centro de Processamento de Dados (CPD) da Fapesp em 1991, quando começaram a ser dados os primeiros passos para a viabilização da internet no Brasil.

“O primeiro ponto de troca de tráfego de internet no Brasil foi instalado no prédio da Fapesp entre 1996 e 1997”, lembrou.

04/10/2022 14:50
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