11 de Dezembro de 2018
Unifesp fará vestibular próprio
A partir deste ano, a seleção de alunos para ingressar na Unifesp será feita por meio de um vestibular próprio. A universidade passa a ter um exame independente para os candidatos a uma vaga nos seus cursos - medicina, enfermagem, tecnologia oftálmica, ciências biomédicas e fonoaudiologia -, depois de participar por 24 anos do exame preparado pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular).
O objetivo principal da mudança é, a longo prazo, preparar o vestibular para selecionar o aluno com o perfil desejado pela instituição: pessoas com bom conhecimento nas disciplinas ligadas à área da saúde, que sejam críticas e éticas e tenham habilidade para desenvolver auto-aprendizagem.

Na opinião do reitor da Unifesp, Hélio Egydio Nogueira, a realização do vestibular próprio tornará mais visível aos candidatos que a universidade é a única federal especializada na área de saúde. "Acreditamos ter condições de selecionar melhor nosso aluno e de fazer uma programação de vestibular para escolher os que têm mais ligação com a área de saúde, na qual é importante o compromisso social do profissional e o senso humanitário", afirma Hélio Egydio.

Segundo a pró-reitora de Graduação da Unifesp, Helena Nader, a instituição também quer o aluno que saiba buscar informações. "Não é o indivíduo que apenas resolve testes e tem conhecimento acumulado. Mas aquele que sabe pensar e lidar com a informação disponível para raciocinar sobre situações cotidianas", diz a pró-reitora.

A idéia de ter um exame próprio foi amadurecida desde a metade dos anos 90. Ela surgiu logo após a Escola Paulista de Medicina ser transformada em universidade, em 1994. Na época, a proposta era realizar a prova em conjunto com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mas a idéia não foi aprovada pelo Consu (Conselho Universitário - órgão máximo da Unifesp). "O argumento (para recusar a proposta) foi que estávamos contentes com o tipo de aluno selecionado", diz Manuel Lopes dos Santos, membro do grupo de estudos que propôs exame de seleção próprio para a Unifesp naquela época e atual pró-reitor de Extensão na universidade.

Motivos - Mais recentemente, em 1999, o assunto voltou a ser discutido, e a realização de um vestibular independente foi aprovada pelo Consu em fevereiro deste ano.

Um dos motivos que levaram o Conselho de Graduação a propor a realização de um vestibular próprio foi o fato de as diretrizes do exame da Fuvest serem estabelecidas pelo Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo (USP), sem a participação das instituições que fazem a seleção de seus candidatos por meio dessa prova - Unifesp, Faculdade de Ciências Médicas Santa Casa e Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

"Com a transformação em universidade, surge a obrigação de decidir que aluno queremos", conta Helena Nader. "A longo prazo, dá para escolher o perfil desse estudante. Por hora, poderemos fazer provas mais adaptadas para pessoas da área da saúde. O vestibular da Fuvest avalia candidatos a 70 carreiras e 105 cursos (de humanas, exatas e biológicas), o da Unifesp selecionará para cinco cursos", completa a pró-reitora.

Embora concorde que o vestibular próprio permitirá escolher um aluno com a cara da Unifesp, Manuel Lopes diz acreditar que a mudança no perfil do aprovado só ocorrerá num futuro distante, pelo menos no caso da medicina. "A seleção dificilmente mudará o tipo de aluno de medicina que vem para cá. Os estudantes que tiram notas altas são sempre os mesmos. Essa mudança poderá ocorrer quando houver ensino fundamental de melhor qualidade no país", diz o pró-reitor.

Novo exame será em uma só fase

O exame de seleção da universidade será realizado por uma fundação independente que prepara vestibulares, ainda a ser definida.

Segundo Helena Nader, pró-reitora de Graduação da Unifesp, o vestibular deverá ser composto por três provas - uma de testes de conhecimentos gerais, uma de questões dissertativas específicas e outra de português e redação. As provas serão as mesmas para todos os cursos, mas terão pesos diferentes. O exame será numa única fase, em três dias.

A data exata do vestibular ainda está sendo definida, mas será na segunda semana de dezembro, para evitar coincidência com o período de provas das universidades públicas estaduais.

A pró-reitora de Graduação conta que a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) continuará a ser aceita pela universidade, podendo valer até 20% do valor da prova de conhecimentos gerais.

A previsão é que o resultado do primeiro concurso vestibular seja divulgado no início de fevereiro do próximo ano.

O preço estimado do manual, que deve começar a ser vendido no segundo semestre, é de 60 reais. "Estávamos relutantes em realizar mais um vestibular, porque é mais uma inscrição para o aluno pagar. Mas isso também é mais uma oportunidade para o candidato", diz Helena Nader.

Segundo ela, a idéia é permitir que as inscrições sejam feitas em todo o país. Além da capital paulista, as provas deverão ser realizadas em outras seis cidades do Estado de São Paulo, que ainda serão definidas.

Relação candidato/vaga - Com essa mudança, a Pró-reitoria de Graduação estima que entre 10 mil e 12 mil candidatos se inscrevam para o exame deste ano e também que a relação candidato/vaga aumente. O exame independente deverá permitir conhecer a verdadeira relação candidato/vaga para os cinco cursos da universidade.

Segundo o Conselho de Graduação, enquanto a Unifesp participava das provas da Fuvest, a relação candidato/vaga era distorcida, porque era conhecido apenas o número de alunos que escolhiam os cursos da Unifesp como primeira opção.

Nos últimos três anos, a média da relação candidatos/vaga para o curso de medicina foi 22. Na enfermagem, foi 11,2 candidatos por vaga, e na fonoaudiologia, 9,9. Nos cursos de Tecnologia Oftálmica e Ciências Biomédicas, cujas inscrições eram feitas por curso e não por carreira, essa média foi 8,6 e 20, respectivamente.

Na UFSCar, que saiu da Fuvest e passou a realizar vestibular próprio em 1999, o número de inscritos nos 27 cursos oferecidos pela instituição mais que dobrou, passando de cerca de 10 mil candidatos no final de 1998 para aproximadamente 22 mil nos dois anos seguintes, segundo Leda de Souza Gomes, coordenadora do vestibular da universidade.

A instituição partiu para o vestibular próprio pelo mesmo motivo que a Unifesp: poder escolher o perfil de seus estudantes. Para o reitor da UFSCar, Oswaldo Baptista Duarte Filho, a realização de um exame de seleção próprio trouxe vantagens: "Agora conseguimos interferir no exame aplicado aos alunos. Também temos acompanhado melhor tanto os estudantes que prestam nosso vestibular quanto os que ingressam na universidade. Esses dados são importantes para direcionar a divulgação do vestibular".

Universidade já teve prova independente

Com a realização de um exame de seleção independente a partir deste ano, a história se repete na Unifesp. Depois de sua criação, em 1933, a universidade realizou vestibulares próprios por cerca de três décadas, até 1964.

Nesse período, o exame para ingresso nos cursos da universidade era feito, primeiro, por meio de questões discursivas e avaliação oral, e, a partir de 1946, por uma prova de testes de múltipla escolha criada por Walter Leser, que, na época, já era professor titular do Departamento de Medicina Preventiva.

Em 1964, Leser criou um vestibular em forma de testes para a área de biológicas, o Cescem (Centro de Seleção de Escolas Médicas), que era aplicado para candidatos de seis instituições no Estado de São Paulo - Unifesp, USP, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Escola de Medicina de Jundiaí, Faculdade de Medicina Barão de Mauá e UFSCar.

O vestibular da Unifesp mudaria novamente em 1977, quando as provas para ingresso na universidade passaram a ser realizadas pela Fuvest - fundação criada um ano antes, que selecionava alunos para a USP, Unicamp, Unesp (Universidade Estadual Paulista) e UFSCar.

A Unifesp oferece 273 vagas em cinco cursos de graduação da área de saúde:


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Curso Vagas

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Medicina 110
Enfermagem 80
Ciências Biomédicas 30
Fonoaudiologia 33
Tecnologia oftálmica 20

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Ricardo Zorzetto


Foto :Sala de estudos do cursinho Universitário: professor tira dúvidas das alunas durante intervalo de aula ; Segundo Helena Nader, pró-reitora de Graduação, o novo exame será realizado em uma única fase, em três dias ;Natasha Jalkauskas, 18 anos, aluna do Etapa e candidata a uma vaga em medicina: "Quando há mais de uma fase, o aluno vai perdendo o ritmo de estudo"
Fotógrafa : Stela Murgel
08/02/2006 18:18
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