19 de Setembro de 2019
UNIFESP e Prefeitura de Embu lançam cartilha sobre sexualidade para crianças e adolescentes
São duas cartilhas que atingirão 65 mil crianças e adolescentes, da educação infantil ao ensino médio, de 108 escolas municipais, estaduais e creches conveniadas com o município. Com população de mais de 230 mil habitantes e renda per capita em média de R$ 244,20 (segundo Fundação SEADE), Embu das Artes possui cerca de 95% das crianças estudando em escolas públicas.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de adolescentes grávidas em todo o país, com idades entre 15 e 19 anos, cresceu cerca de 15% desde 1980. Segundo o estudo, cerca de 700 mil meninas tornam-se mães a cada ano no Brasil. Desse total, 1,3% são partos realizados em garotas de 10 a 14 anos.

A preocupação com esses números fez com que profissionais da Unifesp e da Secretaria Municipal de Saúde de Embu, envolvidos com o programa Escola Promotora de Saúde, desenvolvessem ações para tratar do tema sexualidade junto a crianças e adolescentes.

"Conversando e Descobrindo: a criança e a sexualidade" é o título da cartilha voltada para o público infantil, com tiragem de 30.000 exemplares. Escrita em linguagem bem simples, aborda as diferenças do corpo masculino e feminino. "De onde eu vim?", "A fecundação", "A gravidez" e "A criança descobrindo seu corpo" são alguns dos capítulos da cartilha, ilustrada como história em quadrinhos.

"Discutindo Sexualidade" é a cartilha voltada para o público adolescente e utiliza linguagem jovem para falar sobre o desenvolvimento da sexualidade, saúde do adolescente, doenças sexualmente transmissíveis (DST/AIDS) e gravidez. A tiragem desta publicação é de 45.000 exemplares.

As cartilhas serão distribuídas aos alunos das escolas do município a partir da segunda quinzena de junho, quando os professores da rede pública de ensino já estarão capacitados para tratar do tema com as crianças e os jovens das 108 escolas da cidade. "As crianças e os adolescentes são fortes multiplicadores de informação. Isso colabora para reduzir problemas diretamente ligados à sexualidade, como a gravidez precoce", afirma Glaura César Pedroso, pediatra da Unifesp e coordenadora do programa Escola Promotora de Saúde.

A impressão da cartilha foi viabilizada pela parceria entre a iniciativa privada (por meio do Fundo Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente), secretarias municipais de educação e de saúde e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – através do Programa de Integração Docente-Assistencial (PIDA). A Diretoria de Ensino de Taboão da Serra, responsável pelas escolas estaduais da região, também deu seu aval ao projeto. "A criação da cartilha recebeu elogios da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, e pode servir de exemplo para trabalhos em outras regiões do país", concluiu dra. Glaura.

Escola Promotora de Saúde


A idéia da Escola Promotora de Saúde (EPS) surgiu no final da década de 1980 através da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS) e tinha como objetivo fortalecer a capacidade dos países da América Latina e Caribe na área da saúde escolar. O programa EPS foi implantado no município de Embu em 2002 e obedece a três conceitos básicos sugeridos pela OPAS como a "Educação para saúde com enfoque integral, pensando em qualidade de vida"; "Ambiente saudável dentro da escola, na cidade e na família" e a "Articulação da escola com serviços da saúde". O programa Escola Promotora de Saúde acontece em 19 países da América Latina

Projeto PIDA/Unifesp no Embu

O Programa de Integração Docente-Assistencial (PIDA) da Unifesp atua no município de Embu desde 1970, com equipes dos departamentos de Pediatria, Fonoaudiologia, Obstetrícia, Neurologia, Oftalmologia, Psiquiatria e Enfermagem. Os participantes do PIDA são professores, pesquisadores, alunos de graduação e médicos residentes em estágios curriculares, somando um total de 260 pessoas atuando anualmente na cidade.

A Unifesp e o município mantêm convênio de cooperação técnica que não envolve transferências de recursos da prefeitura do Embu para o programa. "A prefeitura oferece toda a rede de saúde pública e infra-estrutura de enfermagem, alimentação e espaço físico para a atuação dos profissionais da saúde da Unifesp", explica Renato Nabas, pediatra e coordenador do PIDA.

Segundo Nabas, a permanência do projeto no município por 30 anos deve-se à sedimentação e aceitação de todos os trabalhos feitos com a população. "O que sustenta o PIDA é a seriedade do trabalho", afirma. Existe ainda a possibilidade de ampliar o programa, com a incorporação de outros departamentos e disciplinas como Clínica Médica e Ginecologia, entre outros. "Com isso, conseguiremos estender a atenção a outros ciclos da vida", conclui.
15/06/2005 00:00
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