22 de Outubro de 2017
Manifesto da Congregação da Escola Paulista de Medicina à Comunidade Acadêmica e à Sociedade Brasileira
ATÉ QUANDO SOBREVIVEREMOS?

A Congregação da Escola Paulista de Medicina (EPM) manifesta a sua preocupação com a continuidade da Universidade pública de qualidade e socialmente referenciada. Em particular, com a formação dos diversos profissionais da saúde, tanto na graduação quanto na pós-graduação, e ainda da própria produção de conhecimento.

Temos sofrido sucessivos cortes orçamentários que comprometem o nosso funcionamento e a permanência de nossos estudantes. Mesmo com todos os esforços, e não foram poucos, de busca de recursos, de aprimoramento de sua utilização, de implantação de estratégias de gestão, estes não estão sendo suficientes para a manutenção de uma Instituição com 80 anos de trabalho, reconhecido nacionalmente e internacionalmente.

A EPM vê hoje faltarem recursos para a limpeza básica das suas salas de aula, de seus laboratórios, e vê o seu Hospital Universitário (Hospital São Paulo) quase fechando as portas. Os cortes financeiros sofridos pelo Hospital se agravaram ainda mais com ato unilateral do Ministério da Saúde de suspender o repasse da verba prevista para os Hospitais Universitários (REHUF). Além de danos incalculáveis para o ensino e para a pesquisa, compromete-se o cuidado de milhares de pacientes que deixam de ser atendidos no complexo hospitalar de alta complexidade.

Diante dessa situação, a EPM faz malabarismos para definir formas de manter suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, até reduzindo o número de vagas dos médicos residentes ingressantes em 2018. Suspendendo projetos de pesquisa por falta de pagamento de contratos. Cenário que se deteriora com o corte brutal do fomento à ciência no país.
São politicas inaceitáveis de encolhimento, protagonizada por gestores e políticos sem formação técnica e o humanismo necessários para enfrentar as necessidades do cenário atual. Um quadro de barbárie, que afeta os alicerces de uma conceituada Escola Médica Pública, que prejudica os cursos de graduação, de pós-graduação e os mais de mil residentes médicos e multiprofissionais em treinamento em nossa Escola.

Uma Universidade não fica menor apenas diminuindo sua área física, uma Universidade encolhe se minarem as suas cabeças, o seu custeio, ou, se não tiver número adequado de servidores - professores e técnico-administrativos - qualificados. Este é o nosso grande risco.

Um País ético, com condições dignas de vida e de trabalho não se faz sem priorizar a Educação Pública, que só alcançará qualidade se junto a ela houver uma forte pesquisa sendo produzida em consonância com as necessidades sociais. Vários países, com seus distintos modelos de formação e produção de conhecimento, melhoraram seus indicadores de desenvolvimento econômico e humano.

Sabendo das dificuldades por que passa o País, o que queremos é a garantia de recursos necessários para a sobrevivência da nossa Instituição. Só assim poderemos continuar a servir com dignidade e qualidade a população que nos procura e paga os nossos salários.

São Paulo, 25 de julho de 2017
03/08/2017 15:41
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